Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
PRIVATIZAÇÃO DA RTP

O Estado representa e gere quem, sob forma democrática, o elegeu. Relativamente, ele vê-se no dever de preservar os valores fundamentais com vista a garantir um serviço público precisamente alicerçado nessas condições e a RTP simboliza isso mesmo. A Rádio e Televisão de Portugal - RTP - tem uma missão fundamentalmente exclusiva nos campos da informação e da difusão cultural. Compete ao Governo, consciente desta realidade e tendo presente a evolução previsível para o sector – audiovisual – na sequência da televisão à iniciativa privada, assegurar, proteger, desenvolver e/ou revitalizar os interesses públicos que representa a RTP.
Importa ainda realçar que, ao contrário de um serviço público prestado, bem ou mal, por iniciativa própria dos canais privados, um canal público vê-se na obrigação de o garantir. Ora, acresce que privar os portugueses de uma ferramenta enquadrada nesse tipo de obrigatoriedade, é submeter os cidadãos aos riscos e efeitos prejudiciais normalmente acarretados por privatizações mal conduzidas ou mesmo tendenciosas.
Esta privatização implica manusear (e desabilitar) ferramentas e mecanismos essenciais ao estado de direito. Qualquer imprudência ou precipitação irá impreterivelmente fracturar a prossecução de valores que não podem ser confundidos nem associados a estratégias do foro económico ou economicista.
Pior do que um povo pobre é um povo pobre e desprotegido! De facto este assunto reclama uma ponderação exigente!


Laetitea


 Reação e declaração de Laetitea na página pessoal do Facebook do eurodeputado e vice-presidente do CDS-PP, Nuno Melo, na sequência do seu apelo à ponderação no caso RTP “Miguel Relvas diz muita coisa, mas a privatização da RTP tem de ser ponderada” publicado no jornal ‘i’ (Luís Claro)





publicado por laetitea às 16:05
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Sábado, 17 de Dezembro de 2011
TRAIÇÃO FETAL (9ª Parte)


Tabacomania feminina (5)

Afastando-me de qualquer pretensão nos estudos epidemiológicos descritivos ou analíticos, a de notar: além do tabagismo exercer, pois, no sexo feminino, as mesmas acções nocivas que se verificavam no sexo oposto, o organismo da mulher metaboliza com mais dificuldade os produtos carcinogénicos da nicotina, daí mais susceptível de desenvolver complicações. Portanto, nada de tentar imitar os rapazes para se merecer notoriedade ou, a médio prazo, essa «triste igualdade» vai repercutir-se na incidência de uma formosa neoplasia pulmonar de saia e saltos altos, conforme certificação do oncologista António Araújo (IPO). Ora é, precisamente, neste ponto que se situa a dinâmica da minha publicação de hoje.




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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011
TRAIÇÃO FETAL (8ª Parte)


Tabacomania feminina (4)

França na escapa à regra, segundo a epidemiologista Catherine Hill (Instituto Francês de Vigilância Sanitária), a bronquite crónica obstrutiva é hoje titular de mais de 16 mil mortes por ano. Em 10 anos, a taxa de mortalidade por essa bronquite aumentou em 21% para homens e 78% para mulheres.

Nesse mesmo país, em 1990, sem descriminação de géneros, mais de 50 000 óbitos foram rubricados só pela mão do tabaco e do álcool juntos. Em relação a esta famosa dupla, igualmente muito amiga dos portugueses, uma nota: alguns dos principais cancerígenos do tabaco, como o já referenciado benzo-a-i-pireno, são solúveis no álcool, o que explica a maior incidência relativa ao cancro da boca, faringe e esófago nos fumadores que, simultaneamente, são bebedores excessivos. Outros cancros como o do pâncreas, do rim e da bexiga são igualmente namoradeiros do tabaco. A colecção de neoplasias fertilizáveis pela acção «iniciadores tumorais» do tabaco é de facto assustadora.




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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
TRAIÇÃO FETAL (7ª Parte)


Tabacomania feminina (3)

A situação não é exclusiva de Portugal, em Inglaterra, entre 1959 e 1973 o coeficiente de mortalidade por cancro do pulmão nos homens aumentou de 8 %, o que significa um certo abrandamento do crescimento em relação aos decénios anteriores. Ora, no mesmo período de tempo, nas mulheres, verificou-se um crescimento do coeficiente de mortalidade por essa doença, da ordem dos 50 %.
Outro exemplo: nos Estados Unidos, para o sexo feminino, os coeficientes de mortalidade por cancro do pulmão, que rondavam os 4,7 em 1950, subiram para 19,5 em 1976. Em 1978, nesse mesmo território, a doença ocupava já o segundo lugar no ranking das neoplasias mais frequentes na mulher, prevendo-se que ultrapassaria, dentre de pouco, o cancro da mama, o então líder da tabela. E, de facto, assim aconteceu: nos Estados Unidos, o cancro mais mortífero para as mulheres é já, na actualidade, o cancro do pulmão.




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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
TRAIÇÃO FETAL (6ª Parte)


Tabacomania feminina (2)


Não é por acaso que no «Dia Mundial sem Tabaco» tem-se vindo a reforçar o apelo numa estratégia tendencialmente direccionada para as «elas». Confrontada com a previsível perda de quase metade dos fumadores actuais, praticamente no fosso da morte prematura devido a doenças relacionadas com a rotina tabaquista, a indústria tabaqueira logra na comunidade feminina uma enorme oportunidade, sustenta a Organização Mundial de Saúde (OMS). O «Marketing de arremesso» procura nicotizar a população (feminina) jovem, que é a faixa etária onde se tem registado um maior acréscimo de consumo. O recurso à elegância, sofisticação, glamour, atribuindo-lhe o efeito “redutor de apetite” e/ou embalagens angelizadamente desenhadas fazem parte da astuciosa táctica aplicada ao tenebroso cilindro.



publicado por laetitea às 09:51
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011
TRAIÇÃO FETAL (5ª Parte)



Tabacomania feminina (1)



Se pensa que o Tabaquistãoé algo parecido com o Clube da Luz, desengane-se! Em muitos países, nas últimas décadas, elas (minhas conterrâneas de género) tornaram-se também grandes apreciadoras do canudo. Não só aumentou consideravelmente o número de consumidoras e a média de cigarros fumados, como baixou, muito nitidamente, a idade de início do hábito. Enquanto no post-guerra as mulheres começavam a fumar entre os 20 e os 30 anos, hoje adquirem o hábito sensivelmente na mesma idade dos rapazes, isto é, por volta dos 13 anos.
Consequentemente, conforme atestam indicações emitidas pela Direcção-Geral de Saúde, tem-se vindo a verificar, nas mulheres, um aumento progressivo da incidência das doenças relacionadas com o tabagismo: bronquite crónica e enfisema, enfarte do miocárdio, cancro do pulmão, etc. Esta última doença que, quarenta anos atrás era considerada quase exclusiva do sexo masculino, está actualmente a atingir, na mulher, proporções nunca anteriormente constatadas.




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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
TRAIÇÃO FETAL (4ª Parte)


Um pouco de história (3)

Por isso, agora sim, vamos a números: até há bem pouco tempo, trezentas mil mortes por ano nos Estados Unidos, cinquenta mil na Grã-Bretanha e cem mil no Brasil, etc. A lista é longa e os valores ultrapassaram o inimaginável tolerável.
O vício não se contenta em “ceifar” na carteira, a saúde desaparece igualmente pelo mesmo “cano”. Pelo que as consequências também arrepiaram os cofres do(s) Estado(s). O reverso do brilhante negócio acarreta prejuízos que rondam os milhares de Euros por cada doente e a dimensão do orçamento estatal comprometido obrigou o executivo a pensar melhor. Foram então legisladas medidas redutivas, consciencializando os consumidores sobre os efeitos perniciosos do tabaco e, recentemente também em Portugal, alicerçadas nobres poupanças na saúde dos fumadores passivos (sob protestos dos fumadores). Já agora: num futuro próximo, soluções igualmente intransigentes são a considerar perante o fenómeno consagrado ao álcool, apesar da forte pressão exercida por parte das associações / institutos vitivinícolas.




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Domingo, 11 de Dezembro de 2011
TRAIÇÃO FETAL (3ª Parte)



Um pouco de história (2)



Hoje sabe-se que essa extraordinária divulgação não foi devida às virtudes terapêuticas – que na realidade não possuía – mas sim ao gosto e prazer que proporcionava através da sua forte acção geradora de dependência. Como qualquer outro vício danado, a tabacomania nunca negoceia com as mentes fracas dos humanos e a comercialização do vício não tardou em se transformar em negócio dos mais rendosos. Hábeis nas invenções fiscais, rapidamente os governos juntaram-se ao festim e começaram então a auferir proventos cada vez mais substanciais com impostos sacados da cartola estatal.. Até que o clínico francês Buisson dê o alarme em 1859. A partir dessa data os principais beneficiados do negócio tentaram a todo custo silenciar os ecos da maldição do consumo. Os laboratórios foram identificando os factores oncogénicos do fumo, tais como químicos de elevado peso molecular na ordem dos hidrocarbonetos: benzo-a-pireno, dibenzo-a-h-tolueno, dibenzo-a-i-pireno, etc.. Mas há muitas substâncias – mais de 1000 – tais como arsénio, cobre, crómio, acetona, alguns pesticidas também.. enfim, escusar-me-ei, continuar, o resto da “miscelânea” é de fácil dedução




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Sábado, 10 de Dezembro de 2011
TRAIÇÃO FETAL (2ª Parte)



Um pouco de história (1)


A planta do tabaco ou «petum» é originária das Américas. Em 1492, na ilha de S. Salvador (Antilhas), foram avistados indígenas atidos ao perfume de certas ervas. Anos mais tarde (1500), os marinheiros do Pedro Álvares Cabral tinham visto naturais das terras então descobertas (Brasil) aplicar sobres as feridas uma erva, fumá-la e/ou aspirar as suas folhas secas e reduzidas a pó. Há indícios que permitem admitir que, poucos anos depois, a mesma planta era já cultivada em Lisboa nos jardins reais, embora a sua plantação em Portugal seja frequentemente atribuída a Luís de Goes (1530). Já agora, em España, a preciosa planta terá sido introduzida pela mão de Rodrigo de Jerez, companheiro de Colombo, em 1498. De forma segura se pode afirmar que a erva do tabaco era utilizada como medicamento em Lisboa, em meados do século XVI. Foi encontrada uma carta, datada de 26 de Abril de 1560, enviada por Nicot (embaixador de França na corte de D. Sebastião) ao cardeal de Lorena, onde eram fortemente gabadas as virtudes curativas da planta exótica. Os efeitos da planta depressa convenceram a rainha Catarina de Medicis e assim ficou o nome de Nicot ligado para sempre à designação botânica. Em 1565, Lonitzer a denomina de «Nicotiana», mas essa designação só é definitivamente consagrada dois séculos depois por Linneu. Depressa as sementes são espalhadas pela Europa. A expansão do comércio marítimo encarrega-se de tabaquear o aroma natural do resto do planeta.




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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011
TRAIÇÃO FETAL (1ª Parte)



A circunstância do meu envolvimento no seio da Prevenção do Cancro autoriza-me a uma reanálise destas questões e um renovado interesse pelas possíveis soluções, à luz do confronto da própria experiência no sector com o auspício directo de reputados médicos e sociólogos. Mediante a OMS que previu, recentemente, uma duplicação do cancro para as próximas duas décadas e o presidente do Colégio de Oncologia Médica da Ordem dos Médicos (Jorge Espírito Santo) a reforçar, há dias, a sua preocupação perante uma crise que ameaça afectar o acesso às terapêuticas – recentes – adequadas, antecipo, aqui num formato talvez mais pessoal e singelo, a abordagem de um tema cujo desenvolvimento tem sua difusão prevista para Outubro próximo, nos meios adequados como é óbvio. Tratando-se, este, de um «apanhado» simplificado destinado a determinados grupos de leitores, permitir-me-ei pronunciar-me, aqui, sem grandes detalhes quanto à esfera biológica e/ou epidemiológica.






publicado por laetitea às 09:25
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